Primeiro cortaram o tal do
pau-brasil. Nunca vi um
pau-brasil; você já viu um
pau-brasil?! Não?? Então,
veja-o:
Pois é... eles vinham aqui, entravam – sem a menor cerimônia - e levavam nosso pau-brasil embora. Depois, resolveram vir e ficar um pouco. Coitado dos indiozinhos! Sofreram, muitos morreram e algumas tribos nem existem mais. Arrancaram os negros de sua terra natal para plantar e cortar cana. Machucaram, feriram e mataram. Mais tarde, então com um outro papo, permitiram a entrada de estrangeiros, que sem nenhuma estrutura adequada, também sofreram, mas desta vez alguns cresceram. Hoje o país com um
salário de fome, sofre. E como dizia o
'Velho Guerreiro',
Chacrinha:
"aqui nada se cria, tudo se copia".
E lá vem nosso presidente, nesta
caravela da modernidade, anunciar uma parceria com as forças norte-americanas. Vamos dar condições, num futuro breve, de manter o padrão de vida do povo americano.
Eles precisam do nosso
etanol. Uma grande quantidade do nosso território para uma
monocultura que poderá em breve destruir nossa
capacidade de produção de alimentos, promover queimadas e muita miséria.
O interessante nisso tudo é que eu esperava que o nosso presidente entrasse para a história como um
líder sindical no poder, só que cada vez mais ele se parece com um
líder patronal. Espero estar errado, mas não vi, nem li nada de nenhum comentário sobre alguma melhoria na
qualidade de vida do tão sofrido
bóia-fria, do nosso
cortador de cana – cantado em verso e prosa – envelhecido em cada foiçada, destruído em cada jornada de corte de algumas
toneladas de cana. Mas o que importa isso? Quem olha para aqueles rostos? Em que lugar eles estão?
São
brasileiros, têm direitos?! Não estamos nem aí. Ninguém lembra deles. Muito menos nosso presidente!
Em matéria publicada na
FOLHA DE SÃO PAULO, afirma que:
“CORTADORES DE CANA TÊM VIDA ÚTIL COMPARÁVEL À DE ESCRAVO EM SP.”
O novo
ciclo da cana, gera novos empregos e movimenta
U$8 bilhões ao Brasil neste ano. Ao menos
19 mortes, sabidas, já aconteceram nestes últimos anos. A busca por uma maior produtividade, obriga cada trabalhador a cortar
15 toneladas de cana dia. Por esse esforço físico, passaram a ter uma
vida útil menor à do período de
escravidão. A partir de
2000, a
vida útil do trabalhador brasileiro piorou, passou de 15 para 12 anos. Até
1850, afirma-se que eram de 12 anos.
Essa situação um dia pode até vir a melhorar lá no
futuro, mas senti muito a falta de um
discurso do presidente Lula, que chamasse a atenção para esse triste e vergonhoso quadro.
O mais triste é que um presidente que
perdeu um dedo, se
aposentou e comemorou com borbulhas de
espumantes importados suas vitórias nos bastidores e nas urnas, vê –
em silêncio – a destruição de parte da população brasileira que luta e produz também nossa
cachaça que faz o povo esquecer nossa dura realidade.

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