Vinte horas. Sentado à mesa de um bar, tomando acredite, uma 'Pepsi Light' – a ex-da Fiel. Pedi 'Coca-Cola Light' e não tinha. Sinal dos tempos; hoje, no Brasil, existe bar que não tem 'Coca-Cola', pode?
Mas, estava lá, quando uma menina muito linda me ofereceu uma promoção. Tratava-se, na verdade, de uma degustação. Era um whisky escocês sem carvão. Isso mesmo, ele não tinha carvão e eu nem sabia que whisky tinha carvão! Mas mesmo assim, sem carvão, era maravilhosa aquela bebida escocesa. E mal sabia que aquela menina, muito bonita, alegre em promover a tal bebida naquela degustação, por trás daquele seu sorriso escondia também uma história triste.
Ela havia parado a faculdade de psicologia, pois não conseguia pagar os mil reais por mês. Seu pai estava desempregado havia cinco anos. E o whisky, descansava há oito em barris de carvalho. Segundo ela, seu pai se chamava Jaime, e o carvão do whisky era chamado de turfa. A tal turfa não passava cheiro - ou sei lá o que - para o malte no momento da secagem. Já não me lembro mais o que o pai dela fazia... Esse whisky sem turfa era muito bom, mas esse Brasil sem emprego, sem oportunidades, um porre!
Acredito que, com turfa ou sem turfa, nada irá mudar minha vida. Mas a alegria, vontade de trabalhar e o sorriso daquela linda menina, com certeza, poderá transformar o futuro desta nação, um dia, sabe-se lá quando. E o nosso Brasil, assim como o "escocês", dorme em berço esplêndido.
Acorda, Brasil !
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